terça-feira, 19 de agosto de 2008

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CULTURA



Começarei falando sobre os critérios adotados para indicação de cargos importantes na esfera municipal. Há tempos o fator crucial para definir quem assume aquela pasta ou a administração de determinado espaço é simplesmente político, dividindo-se empregos de acordo com partidos aliados e pessoas que se engajaram na campanha. E só. Não creio que o critério puramente técnico seja o melhor. O critério político garante – ao menos na teoria – a fidelidade a uma linha de governo, mas o técnico é que, na prática, pode garantir um melhor desenvolvimento do trabalho. Logo, o ideal seria usar ambos, político e técnico. Ou você acredita, por exemplo, que um médico seria um ótimo Secretário de Obras? Ou, ao contrário, que um engenheiro sair-se-ia bem como Secretário de Saúde?
Aqui em Araribóia City, já cansamos de ver as mesmas figuras se alternando nas cadeiras. E isso não é de hoje. Tira a pessoa dali e põe acolá. E a chance para novos profissionais, competentes, mas que não estão interessados em ascender dentro da política? Será que devemos, por exemplo, escolher artistas para ocupar cargos na Secretaria de Cultura e nos espaços (museus, galerias, centros culturais, teatros, etc) ou devemos optar por gestores culturais? Afinal, existem dois cursos de MBA no Rio de Janeiro, que já formaram profissionais especializados no assunto.
Aqui mesmo, em Niterói, ouvi várias críticas ao concurso da Fundação de Arte de Niterói, que restringiu as vagas para produtor cultural a quem tivesse diploma de uma graduação ainda recente no mercado, como se isso garantisse experiência prática, e excluindo pessoas que também entendem do assunto mas não passaram pela academia. E mais: a prova para jornalistas não exigiu redação, a de designers estava repleta de questões de informática, entre outras distorções. Vamos refletir juntos para que nosso voto seja consciente quando chegar a hora derradeira.


Ilustração e Texto por Pedro de Luna

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